quarta-feira, 11 de junho de 2014

Diretor técnico da Seleção da Alemanha quer boa relação com a vizinhança de Santo André

SELEÇÃO DA ALEMANHA E O OPERATIVO DE SEGURANÇA EM SANTO ANDRE 

BIERHOFF: “QUEREMOS UMA BOA RELAÇÃO COM A VIZINHANÇA” DE SANTO ANDRÉ E CABRÁLIA

Por Patricia Grinberg (Jornal Folha Jacumã-APA Santo Antônio) Santo André, Santa Cruz Cabrália, Bahia.

 Durante dois dias consecutivos, o imenso operativo de segurança montado arredor da seleção alemã na pequena vila de Santo André foi assunto da coletiva de imprensa do time. O primeiro dia, terça feira, por uma pergunta de esta repórter. Hoje, foi a vez de um jornalista alemão de perguntar sobre o incomodo causado a moradores desta vila do Extremo Sul da BA, felizes de receber visitantes, pois são hospitaleiros por natureza, mais estranhados de ter que passar barreiras da Policia Militar para chegar em casa

 Fontes do time comentaram a esta repórter que os próprios jogadores se sentiram inconfortáveis com a situação, especialmente depois que a Folha de São Paulo titulo uma matéria Alemanha cria um Muro de Berlin na Bahia. (http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/06/1467170-alemanha-cria-muro-de-berlim-na-bahia.shtml)


 É preciso entender que o povo alemão em geral, pela sua historia, tem horror a qualquer forma de autoritarismo e pelo tanto se esforçam especialmente em ser “politicamente corretos”.

 Nenhum jogador do time tinha lido a tal matéria da Folha, ocupados como estão não somente com a preparação física, senão também com um continuo trabalho de motivação e analise, utilizando um aplicativo especial do qual falaremos em outra matéria, do comportamento no campo de se próprios e dos futuros adversários.

 Até ontem... na coletiva realizada no Centro de Imprensa montado no resort Costa Brasilis, quando esta repórter perguntou aos simpáticos jogadores André Schurrle (meio campo) e Philip Lahm (defesa e capitão do time)

 “Vocês são muito jovens para ter conhecido o Muro de Berlim... mas gostaria que fizessem algum comentário sobre a matéria da Folha de São Paulo referida ao operativo de segurança neste pequeno povoado de 800 habitantes...”, foi a pergunta.

 Os jogadores sorriram e se dispunham a responder, mas quem tomou a palavra foi o porta-voz do time, Jens Grittner, quem afirmou que a segurança “foi organizada pelo comité organizador local” e não pela equipe alemã. Por falar em termos futebolísticos, chutou a bola para fora do campo.

 O assunto deu que falar... vários jornalistas alemães se aproximaram a esta repórter, após a coletiva, considerando que a pergunta não tinha sido respondida.

 Foi então que hoje. um jornalista da ARD trouxe de novo o assunto a coletiva, desta vez com interlocutores diferentes, Oliver Bierhoff, diretor técnico, e Hans Dieter Hermann, o psicólogo motivador do time.

 “Os moradores de Santo André não estão gostando de perder o direito de transitar livremente pelas suas próprias ruas…”, disse o jornalista. Bierhoff deu uma resposta bem mais espontânea que a do porta-voz do time: “Nos também adoraríamos andar de bicicleta por este bonito lugar, mais não nos permitem. Temos que entender a preocupação do pessoal da segurança. Já ouvimos falar da preocupação da população e é embaraçoso para nos, queremos uma boa relação com a vizinhança, não queremos incomoda lós”.

 Causa e efeito... poucas horas depois, o que ia a ser uma visita breve e de dois ou três jogadores a Escola Municipal de Santo André, se transformou numa verdadeira festa, onde uma meia dúzia de membros da Seleção, acompanhados pelo próprio Bierhoff, se amostraram disponíveis para fotos e autógrafos e curtiram um baba com os pequenos alunos, que não ficaram para atrás na hora de marcar homem a homem aos visitantes.

 Os jogadores Özil, Schweinsteiger, Podolski, Draxler, Ginter e Grosskreutz pareciam divertir-se como meninos em um recreio, jogando bola no estreito espaço de chão de areia e recuperando por alguns instantes a espontaneidade roubada aos futebolistas profissionais pelas regras FIFAS, aplicativos, segurança e contratos milionários de compra e venda.

 Até o pessoal da Federação Alemã de Futebol (DFB) se amostrou simpático e mais preocupado em manter a raia aos quase 50 jornalistas presentes que a limitar o movimento das crianças, que dançaram e até tocaram músicas do folclore alemã para os visitantes. 

Poderia se dizer que esta tarde, na escola, o tal muro de Berlim caiu, se não fosse porque as mães dos alunos não puderam entrar no prédio e tiveram que assistir à apresentação do lado de fora da cerca. “Gostaríamos que entrassem todos, mais não haveria espaço suficiente”, afirmaram representantes da Escola Municipal, explicando que horas antes haviam mantido uma reunião organizativa com membros da delegação da Alemanha.

 Hoje a melodia, após a coletiva de imprensa, tirei o crachá de imprensa e andei em direção ao centro do povoado para ver se alguém interditava a passagem. Ninguém interditou., tal vez pela minha aparência de estrangeira? Mas. no caminho, conversei com uma moradora vizinha do hotel onde se hospeda o time e cujo nome não menciono pois trabalha num resort do povoado. “Eu não vou usar crachá para ir a minha casa”, disse referindo-se as identificações distribuídas aos moradores do entorno. “Eles que deveriam usar crachá- considerou- para nos sabermos quem são”.












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